//A volta ao país de origem e a sindrome do regresso!

A volta ao país de origem e a sindrome do regresso!

Muitas pessoas depois de morar fora de seu país, seja por causa do intercambio, ou porque emigrou pra tentar nova vida, quando retornam ao país de origem, podem passar por um estranhamento que chamamos de Síndrome do Regresso.

Ao sair do nosso país passarmos pela Síndrome do Imigrante que são conjuntos de sintomas que dificultam a adaptação ao país estrangeiro, ao superar começamos a apreciar algumas coisas como cultura, hábitos de comportamentos, aprendemos novas habilidades relacionais, e estabelecemos novas amizades e afeto neste país estrangeiro.

Ninguém espera voltar ao seu país, onde viveu tanto tempo, e sentir novamente este estranhamento, novas dificuldades de adaptação, no entanto, a síndrome do regresso, é real, e nos faz sentir como “um estranho no ninho”. Apesar de conhecermos nosso país, a língua, os comportamentos, os locais da cidade onde moramos, podemos ter reações que podem inclusive chegar a desenvolver transtornos mentais como depressão, ansiedade, panico, nostalgia, falta de conexão com pessoas e hábitos antigos, sentimento de não pertencer a este lugar que viveu durante tanto tempo.

Dependendo da situação do retorno pode ser ainda mais grave, se foi morar fora apenas como intercambio já sabia que sua vida voltaria ao normal depois de 6 meses a 1 ano. No entanto, há pessoas que deixaram tudo, suas casas, suas vidas estabelecidadas para morar em outro país e podem voltar por dificuldades que aconteceram no país estrageiro do qual terão de começar tudo do zero novamente. Aí existe um sentimento de um sonho que não foi atingido, ou como se tivesse falhado de alguma forma, o que torna o regresso mais dificil.

Algumas coisas também fazem parte da síndrome do regresso, como:

1- Monotonia e falta de interesse: o local onde você viveu antes não tem novidades, é diferente quando se está em outro país, tudo é novo, o idioma, a forma de se relacionar, os lugares, a comida, etc. Existe uma falta de interesse, falta de excitação e curiosidade sobre a vida e o local onde estar voltando a viver.

2- Senso de aventura: algumas pessoas são viciadas em aventura e adrenalina, depois que você sente que pode conquistar o mundo, aprender mais coisas sobre outras culturas, conhecer lugares novos é um sentimento de renovação e quem conhece esse sentimento não quer parar mais. Voltar é como se encerrar um capitulo de aventuras em sua vida, mas ao descrever este sentimento entendo porque algumas pessoas são nômades, entendo os ciganos, entendo quem não consegue para em um país apenas, e volta e migrar pelo mundo a fora.

3- A comparação entre os países: todos os paises tem seu lado negativo, quando estamos no exterior sentimos saudades das coisas boas do nosso país, da nossa comida, ou dos familiares e amigos, mas quando volta ao seu proprio país, as comparações são sempre inevitáveis: o alto custo, a facilidade de transportes públicos, ou acesso a cultura, espacos de lazer, as oportunidades de educação e aperfeicoamento, criminalidade versus segurança, etc. Inclusive algumas pessoas relatam que o medo após o regresso é maior que chegaram a desenvolver panico, ou fobias, que nunca tinham tido antes.

4 – O recomeçar: sempre é dificil recomeçar, se já era um profissional no seu país antes e passou muito tempo fora, as pessoas não conhecem mais, não lembram de seus serviços, é voltar ao zero e fazer novos networks, fazer nova freguezia, algumas pessoas inclusive mudam de profissão, e decidem recomeçar por outros caminhos completamente diferentes dos anteriores.

5 – Você mudou: quando você tem uma experiência de morar em outro país, é invitável a mudança de pensamento, de comportamento, de princípios, você se adapta a outros hábitos, muda seus gostos, música, cultura, jeitos de ver o mundo. E isso pode fazer com que se sinta um pouco deslocado, “um peixe fora d’agua”, em que reações e comportamentos esperado não se encaixem novamente. Algumas pessoas podem se afastar, por achar que você se tornou esnobe ou orgulhoso, não é isso, apenas você não quer se encaixar naqueles comportamentos esperados, ou no jeito de pensar, simplesmente você já não é a mesma pessoa.

Podemos dizer que a sindrome de ULysses e a Sindrome do Regresso, tem em comum o duelo migratorio – o desejo de ir e de ficar. Esse duelo pode demorar muito tempo para ser superado, e inclusive pode requerer ajuda profissional como a psicoterapia. Se o duelo for simples, será facil de ser elaborado, a pessoas tem boas condições no regresso e consegue se estabelecer facilmente no país de origem, se o duelo for mais complexo, a pessoa pode voltar em condições dificeis de vida, pode sentir-se uma fracassado, pode precisar de ajuda e não conseguir se estabelecer financeiramente de forma rápida. Pode ter retornado devido a complicações do país estrageiro, pode ter sofrido violencias, preconceitos, ou mesmo uma separação dolorosa. O duelo migratório fica mais complicado quando há separação entre familiares, filhos, e perdemos parte do que conquistamos, ou deixamos sonhos para trás.

Mas não se desespere, Sempre existe uma saída! Aqui vai algumas dicas para superar seu duelo migratorio e Síndrome do Regresso:

  • Primeiro não sinta vergonha em buscar ajuda profissional se necessário , é pra isso que psicoterapia existe!
  • Resgate o sentimento de aventura em você: a vida é uma aventura, então busque se aventurar pelo seu país de origem, conheça outros lugares, continue viajando, sempre que puder faça coisas para descobrir novos espaços perto de você.
  • Busque fazer novos networks, continue mantendo contato com os amigos que fez ao redor do mundo, busque pessoas que tiveram experiencias semelhantes e que possam compreender o que sente, busque conhecer novas pessoas com a mente-aberta.
  • Paciência – tudo tem seu tempo! A readaptação pode levar até 2 anos pra você voltar a se sentir em casa novamente. E os familiares e amigos também precisam entender esta mudança e dar suporte sem julgar, lembrando que não é que a pessoa não gosta mais dos amigos e do lugar, mas sim, é um recomeço e toda adaptação tem suas dificuldades.
  • Se depois desse tempo você continuar com a sensação de estranhamento como se não pertencesse a este lugar, lembre-se que nada é definitivo, você sempre pode fazer as malas e buscar o lugar que se sente melhor para viver.
  • E finalmente utilize sua experiência de mundo, sua nova percepção das coisas podem ajudar a criar novas experiências, novos trabalhos, possibilidades profissionais…

Enfim como dizia Carlos Drummond de Andrade no seu Poema Recomeçar :

Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível e necessário “Recomeçar”.

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida, e o mais importante: acreditar em você de novo!

Se você já passou pela Sindrome do Imigrante ou pela Sindrome do regresso, conte sua experiência nos comentários, e se tiver alguém que está passando compartilhe este texto quem sabe isso possa ajudar!

Denize Cenci, casada mãe de menino, imigrante, blogueira por acidente, é psicóloga com vasta experiência em Clínica, especialista em Psicoterapia sistemica para famílias, casais e individuos, Pós graduada em Saúde Pública com foco em Saúde da Família. Faz Atendimentos Online para Brasileiros no exterior e também no Brasil. Membro Registrado do Bristish Psychology Society – BPS e do Conselho Federal de Psicologia – CFP. Email: psy4u.uk@gmail.com

Denize Cenci, casada mãe de menino, imigrante, blogueira por acidente, é psicóloga com vasta experiência em Clínica, especialista em Psicoterapia sistemica para famílias, casais e individuos, Pós graduada em Saúde Pública com foco em Saúde da Família. Faz Atendimentos Online para Brasileiros no exterior e também no Brasil. Membro Registrado do Bristish Psychology Society – BPS e do Conselho Federal de Psicologia – CFP.
Email: psy4u.uk@gmail.com