Você foi desejado, criado, esperado.
Somos um só, unidos por um cordão que nos nutre e que nunca se romperá.

Somos sangue do mesmo sangue e nunca mais estarei só.

E chega a hora de nos separarmos.

Você me rompe, me estraçalha para se tornar um outro,

Mas você ainda é meu.

Meu corpo e alma te alimentam.

E nos unimos agora pelo olhar, num momento de êxtase, onde já existem dois.

E o outro vem para nos separar, nos ajudar.

Neste momento enlouquecedor de total simbiose,

Onde perco minha identidade, perante a intensidade do nosso amor.

Sinto falta de ser livre,

Desejo o silêncio, a quietude solitária.

Resgatar meu corpo e pensamentos.

Você é um carma e uma benção.

Um parasita que me suga com suas demandas narcísicas.

Você me destitui e me dá diretrizes,

E dançamos esse tango entre o amor e o ódio.

Quero voltar a ser mulher, amante,

Não somente sua, seu espelho, sua escrava.

E quando vamos dormir, ambos exaustos, você olha nos meus olhos e diz ‘Eu te amo’.

E o mundo se silencia, escutando o som do seu corpo cansado, da sua mente ainda trabalhando.

E sei que morreria e mataria por você.

Olho para você já adormecido e sussurro no seu ouvido ‘Eu te Amo, filho’.

Este poema foi inspirado nos relatos de inúmeras mulheres que tive o privilégio de conhecer no decorrer dos anos, como também em minha experiência pessoal.

Daniela Lourenço

Psicóloga e Psicoterapeuta no Reino Unido.

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