As vezes dá uma vontade de chutar o balde, aí eu me lembro que sou eu que tenho que limpar !! Frase de uma mãe desconhecida.

Sim as vezes dá vontade de mandar tudo para o espaço, mas sabemos que os problemas podem piorar da forma como o enfrentamos. Então gostaria de abordar um tópico que vem crescendo muito hoje em dia: o que os outros pensam a respeito de nós e a difícil habilidade de lidar com a  opinião alheia.

Não sei porque as pessoas tem ideia de que se elas pensam ou discordam de alguma situação elas precisam expressar diretamente ao sujeito. O problema não é expressar sua opinião ou dar sugestões, mas a ideia de que o outro tem que mudar de opinião e fazer as coisas de acordo com o que os demais pensam.

Se somos solteiros, temos que casar, se tem filhos então nossa… começa um bombardeio de certo e errado, tipo de parto, tipo de amamentação, fórmula, ou peito, amamentação prolongada então todo mundo tem que meter o bedelho! Cama compartilhada, criação com apego, escolhas sobre o que comemos (vegan ou carnívoros), ou com quem fazemos sexo não sei o que isso tem a ver com a vida do outros?

Sabemos que as pessoas nunca irão ficar satisfeitas com nossas escolhas ou postura, modo de pensar, agir, vestir, ou falar, etc. Acredito que nunca na história do mundo as pessoas receberam tantas críticas como atualmente com as redes sociais.

Existe uma falta de diferenciação entre público e privado dentro das redes sociais, é como se tudo que estiver na internet é publico, mas na verdade não é bem assim que funciona. Claro que todas as pessoas podem expressar as suas opinião, mas isso não significa que as pessoas tenham que procurar as demais que pensam diferente para debater todas as situações.

Vamos fazer uma comparação para exemplificar como fica o publico e o privado, a nossa timeline é como se fosse a rua, passa pessoas de todos os tipos, ideias, diferenças religiosas, politicas, sexuais, etc, enfim se um protesto LGBT passar na frente da sua casa, você não vai atrás do povo até a casa deles pra debater e explicar como você discorda ou não da vida sexual do sujeito não é? Então, a timeline (linha do tempo de seu facebook) é a rua, e sua página pessoal é a sua casa. Na sua casa você tem direito de colocar o banner de qualquer coisa, time de futebol, politica, ou comidas do dia a dia,  as pessoas sabem que terão criticas apenas por expressar sua opinião, no entanto tornou-se comum as pessoas mandarem mensagens pessoais, no privado, ou escrever na sua timeline comentários que até chegam ser ofensivos, especialmente para debater e dizer, o que deve comer, o que deve vestir, e como deve ser a vida sexual, ou dizer que racismo é fazer drama enfim… coisas que vocês já imaginam.

Compreendo que com a internet globalizada, temos a possibilidade de acessar pessoas que estão a quilômetros de distância, conhecer mais intimamente a vida de pessoas que até são distantes, parentes que nunca visitamos, amigos que eram do colegial, porém as diferenças tem sido o ponto de confronto. Ninguém confronta com quem pensa igual não é mesmo? O problema não é o debate, a diversidade de ideias é bom, o detalhe é como as pessoas tem se confrontado.

Infelizmente está sendo abordado as discussões com “Etnocentrismo”,  este termo muito estudado na antropologia, é o conceito em que a “minha cultura é o centro do mundo, é melhor que a outra”, ou seja, quando os colonizadores chegaram ao Brasil eles não valorizaram a cultura indígena, o jeito de viver pacífico, eles impuseram sua cultura, sua vestimentas, sua religião. E isso parece perpetuar as relações hoje.

Outra questão neste mundo multicultural, plural e cheio de ideias, é que vivemos na era da influência digital. Esta era significa que a pessoa que recebe mais “likes” mais seguidores e etc, são mais influentes, captam mais atenção e isso pode inclusive trazer benefícios financeiros.

Aí então chegamos a um ponto onde “nunca foi tão importante tentar agradar o outro – estar dentro do “padrão esperado” em que se recebe os “likes”. Pra quem me conhece sabe que nem mesmo por dinheiro eu  mudo meus valores pessoais para agradar os outros, no entanto essa nova era de influencia digital tem muitas pessoas fazendo teatro, engolindo sapos, se entristecendo e aceitando coisas que não teriam menor importância na vida pessoal, se entendêssemos que a base fundamental para lidar com os “dislikes” é a auto-estima e o conhecimento de si mesmo. Não precisamos agradar a todos nem Jesus conseguiu isso não é mesmo?!

Surge então, situações de pessoas que tem sua auto-estima instável e podem se abalar facilmente quando recebem uma crítica, ou recebem um “dislike”. Os adolescentes, por exemplo,  ainda estão construindo sua própria identidade e a auto-estima e tem muita necessidade de aceitação dos grupos e dos meios sociais. Precisam lidar com a discordância de ideias, entender que opinião não é fato, é apenas uma perspectiva da situação, e que se tiver “dislike” tudo bem, isso não precisa lhe afetar emocionalmente.

É um entendimento necessário de que “o  que os outros pensam a meu respeito, é  problema deles”. Este aspecto é super importante para fazer o exercício de se distanciar, não levar para lado pessoal, não ficar com raiva ou ressentimento. Veja dessa forma, se outra pessoa não gosta de você, ou tem alguma mágoa, ressentimento, então o problema é da outra pessoa e não é você que precisa mudar pra ela gostar ou não de você!

Agora se você tiver raiva, ressentimento, mágoas em relação a outras pessoas, então isso é um problema seu e que precisa ser solucionado, o melhor se não conseguir lidar com aqueles sentimentos é buscar ajuda, aprender a perdoar, libertar qualquer sentimento negativo que te coloca pra baixo e te prejudicar.

Não estou dizendo que não devemos ouvir nada nem ninguém, até porque crescemos e aprendemos com críticas, desde que sejam construtivas. Estou me referindo especificamente quando algumas coisas passam a ser ofensivas, e nos dá aquela vontade de chutar o balde e mandar a PQP mesmo… mas educadamente podemos encerrar de outras formas.

Então como podemos desenvolver a habilidade de “de não se importar com a opinião alheia” de maneira diplomática? No inglês, existe uma gíria muito usada que é “don’t give a fuck“, ou seja não dê a mínima, não se importe! Aprenda a absorver ideias e opiniões que sejam boas e interessantes para nossa aprendizagem e construção, e jogue fora tudo aquilo que não nos serve, que não acrescenta.

De forma diplomática, a melhor das opções é o silêncio. Na maior parte das vezes, é o suficiente, o outro deu a opinião você não aceitou, pronto está resolvido. Algumas situações é até melhor serem ignoradas.

Algumas situações podem requerer colocar limites: sim a forma como tratamos o outro e os outros nos tratam precisam ter limites precisos, eu não posso passar de determinados pontos, mas o outro precisa saber que aquele tratamento ou a forma como está direcionando a conversa não é aceitável.

Quando o diálogo está se tornando um ataque-defesa, você deve se questionar se vale a pena continuar, não tenha medo de “perder a discussão”, ou seja, as vezes ganhamos mais quando encerramos a discussão do que quando continuamos com algo que se torna ofensivo.

Um aspecto é a forma de se comunicar, as pessoas ainda tem muita dificuldade de se comunicar sem culpar, apontar o dedo. Então precisamos aprender a comunicar através da primeira pessoa: “Eu me incomodo com opiniões que sejam rudes e ofensivas, por isso gostaria que pudéssemos conversar de uma outra forma é possível?”  Quando falamos de como nos sentimos na primeira pessoa não se torna uma conversa com acusações, são impressões, sentimentos da pessoa e isso não tem porque ofender ou debater.

E por fim, aprender a não dar importância demasiada a pequenas coisas, que não fazem sentido, que não mudam em nada sua vida. Uma frase que gosto de pensar é: Que importância terá esse evento daqui a 2 anos? ou mesmo daqui a 6 meses?

E quanto a você se sentir aceito e amado, apenas veja quem realmente está na sua vida diária, os que você pode realmente contar, os amigos reais geralmente fazem criticas construtivas, e se tiver que debater será algo como expor o ponto de vista.

E lembre-se: “não tente dar muitas explicações, os seus amigos de verdade não precisam e os inimigos não vão mesmo acreditar”!

Um grande abraço,

 

 

 

 

 

 

 

 

Anúncios