As vezes penso que seria muito bom se filho viesse com manual de instrução, ou se pelo menos tivéssemos a plana certeza de tudo que irá acontecer nos próximos dias, meses e anos até nossos bebês se tornarem adultos! Seria Maravilhoso, não é mesmo? Mas não é assim…

Eu tive uma gravidez tranquila, um parto sem complicações que você pode ler os detalhes aqui, tivemos  alta do hospital no tempo normal aqui da Inglaterra, isto é, no dia seguinte que Laura nasceu. 

De repente depois de toda aquela avalanche de hormônios na gravidez, você acaba de se descobrir mãe, seu marido acaba de se descobrir pai e você tem em mãos aquele serumaninho lindo, micro e totalmente dependente de você! Está tudo bem  e vocês vão para casa só os três… Choro, do bebê e da mãe. Será que vamos ficar bem?

Chegamos finalmente em casa e nada da Laura mamar. Corre pro hospital – pode ser que seja icterícia e que tenha que fazer fototerapia. Ufa, não precisa! Monitora as mamadas, complementa com fórmula, essa menina precisa ganhar peso.

Engasgo, ambulância, paramédicos, hospital… Choro, do bebê e da mãe.

Ainda bem que foi só um susto, nada de mais! Mas a enfermeira achou melhor ficar no hospital essa noite, já que assim a “mãe poderia  dormir sossegada e descansar um pouco”.  E não é que então, finalmente, eu dormi, e dormi muito bem, até babei! Quem diria que alí numa cama que não era a minha, sem meu marido, num ambiente nada amistoso dentro de um quarto de hospital, eu iria conseguir dormir, mas eu dormi, e ainda bem que consegui!

Volta pra casa. Continua sem  ganhar peso. Eczema, leva para o posto de saúde, leva no pediatra. Ensaio de fotos newborn, eu tenho mesmo que sair na foto? A tão temida cólica, prisão de ventre. Massagens, banho de camomila, ofurô – ops, não temos, sai correndo pra comprar um, não podemos ficar sem. Choro, do bebê e da mãe.

Finalmente a cólica parece ter passado,  a bebê dorme. Agora a mãe também vai dormir. Será? Não, a mãe, no caso eu, precisa tomar banho, escovar os dentes, comer, arrumar a casa, ops… está na hora de mamar. Interrompe o jantar e dá o peito. Ordenha pra poder pelo menos tentar dormir por 4 horas seguidas. Vaca? Qualquer semelhança não é mera coincidência. Choro, do bebê e da mãe.

Maravilha, peso alcançado! Cólicas eliminadas, eczema em tratamento … e nisso tudo só se passaram duas semanas? Que loucura! Quanta coisa!

Hormônios saltitando e, no meio de toda essa confusão da nova rotina, choros compulsivos de  se culpar por estarem acontecendo todas essas coisas a esse ser tão indefeso e pequeno que tanto amo. Choro, do bebê e da mãe.

Como sobrevivemos a isso tudo! Como eu sobrevivi?  Nem eu sei ao certo.  A única coisa que tenho certeza é que meu marido teve e tem um papel fundamental. Ele, com medo do baby blues evoluir para uma depressão pós parto, no auge dos meus choros, vinha me dar sushi de salmão e chocolate pra eu me alegrar, além de me dar colo e apoio. Cada gesto de amor e carinho foi fundamental, sei que ele também está aprendendo a ser pai, ainda assim cuida de mim, cuida de nós.

Sobrevivi também por conta de uma rede de apoio, virtual mesmo já que moro longe da família –  nessa rede virtual, um lugar seguro onde tiramos dúvidas e trocamos experiências, mesmo antes de ligar pro pediatra ou dar uma olhada no google, sem julgamento e sem imposições. Ajudamos umas as outras.

As duas primeiras semanas foram tensas, intensas e cheias de novidade, mas sobrevivi e muitas sobrevivem. Quando as pessoas me perguntam se quero ou penso em ter mais um filho eu respondo: se vier com duas semana de vida, eu quero SIM!!

 

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