Você já ouvir no termo adultescente ou sindrome de Peter Pan? São termos que passaram a existir nos ultimos anos, para se referir aqueles adultos que continuam sendo adolescentes, não crescem emocionalmente nem são responsáveis por suas vidas.  Uma das causas dessa situação é que os filhos continuam vivendo na casa dos pais, não com responsabilidades, continuam esperando receber dos pais, mais do que dão.

Moises Groiman, um dos autores em terapia familiar, No seu Livro “Os mandamentos da família”, nos diz que a casa dos pais não é de todos, ou seja, os filhos são (ou devem ser) apenas transitórios na casa dos pais.

Esta etapa de saída dos filhos da casa para viver suas próprias vidas, seja para casar, estudar ou trabalhar, tem sido vivida com grandes dificuldades pelas famílias.

Às vezes os pais fazem de sua casa um ninho tão aconchegante que os filhos não querem crescer, não querem seguir suas vidas e ter sua própria casa. Apesar das famílias acreditarem que perdem com a pequena separação, na verdade há perdas muito maiores caso essa etapa não seja concretizada e superada.

Vejo muitos filhos de idade avançada morando com seus pais, por ser mais cômodo, confortável e econômico, no entanto, não percebem que se não deixarem de ser filhos não aprenderão a ser pais.  Assim as famílias vão empilhando netos que passam a funcionar como irmãos de seus próprios pais, vivendo na casa onde é chefiada pelo primeiro progenitor (os pais dos pais).

Essa confusão de papeis faz com que os filhos pensem que a casa dos seus pais é sua casa, e assim tem o direito de mandar, colocar suas regras e seus desejos conforme lhes convém.

Devo salientar que os pais devem estabelecer com clareza as regras de quem realmente manda na casa e nunca devem deixar ferir os seus princípios. Já atendi famílias que os pais se sentiam incomodados com alguns comportamentos do filho adulto, mas temia lhe impor regras, pois já era uma adulto e não queriam entrar em conflito. Um exemplo típico é os filhos transarem dentro da casa dos pais, se para alguns pais isso fere seus princípios e sua moral, eles devem estabelecer e deixar as regras claras para todos. Outro exemplo é os filhos adultos morarem com os pais, terem seus trabalhos e não contribuir em nada com as responsabilidades da casa, nem mesmo com a manutenção.

Quando os filhos tiverem suas casas, poderão agir da forma como pensam ou imaginam ser o certo, mas a casa dos pais deve ser respeitada como tal, isso não significa ser antiquado ou retrogrado. Em sua própria casa os pais não podem se sentir inconfortável, como se fossem visitantes. Quem está de passagem são os filhos, os pais ajudam no crescimento emocional e na maturidade de seus filhos quando os incentivam a buscarem seus caminhos.

Existem culturas como comunidades indígenas e outras comunidades orientais e asiaticas, em que as famílias convivem com todos os filhos e esposas, netos, bisnetos na mesma casa, mas ainda assim todos devem seguir e respeitar as regras do pais, a regra dos mais velhos mesmo que não concordam é seguida como uma forma de respeito porque quem gerou a vida e tornou possivel a criação desta família, se não seguir os príncipios dos genitores é porque chegou a hora de cronstruir seu próprio lar.

O importante é que os pais não tenham medo de perder o amor de seus filhos ao impor sua autoridade de pais, pelo contrario percebo que perdem muito mais do que o amor, perdem o respeito de seus filhos quando não colocam suas regras, sua forma de pensar, agir e seu modo de viver dentro de seus princípios.

Outra questão importante é os pais se prepararem para a saída dos filhos, assim como o casamento começou a dois, um dia voltará a ser somentes os dois. Pois os filhos vão para o mundo, viver suas próprias experiências tentar fazer seu caminhos com seus erros e acertos. Por isso é muito importante cuidar do casamento, fazer coisas a dois, ter atividades como casal não somente como família, pois quando os filhos sairem de casa, o casal continua fortalecido.

Algumas famílias dedicam-se tanto aos filhos, que se perdem como casal, não fazem nada mais para o casamento, tudo é para os filhos que quando estes saem de casa, o sentimento do ninho vazio, traz uma desorientação na forma como vão continuar vivendo.

Devido a esta dificuldade que os pais muitas vezes, não colocam suas regras, não querem que os filhos cresçam. Esta disfunção gera conflitos, de forma que os filhos vão sentir-se empoderados, que eles mandam na casa, e por isso desrespeitam as regras dos pais, que por sua vez tem medo de impor para que os filhos não saiam de casa. Se torna um circulo vicioso e disfuncional na família.

Assim como as águias atiram seus filhotes do penhasco, para eles aprenderem a voar sozinhos (ensinam eles a voar), a sociedade precisa de pais que preparem seus filhos para o mundo, pais que deixam seus filhos crescerem e não permitam que eles fiquem vivendo como eternos bebês. Ter os filhos perto é gostoso, mas ver os filhos abrindo suas asas, conquistando seu espaço, crescendo e construindo suas famílias é mais realizador ainda enquanto pais.

Somente quando os filhos saem de casa, tornam-se adultos e responsáveis pela sua própria vida, então darão o devido valor aos seus pais e assim aprendem a se colocar perante seus filhos como verdadeiros pais.