Como enfrentar a morte de alguém que amamos!

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Todos evitamos falar ou pensar sobre a morte de algum ente querido ou mesmo da nossa propria finitude, mas isso irá acontecer, não sabemos o momento exato mas precisamos ter em mente que esta é a maior certeza: Todos que conhecemos, que amamos irão morrer inclusive nós, e pode ser algo repentino como pode ser uma doença demorada de longos anos.

É algo assustador essa ideia, mas também precisamos quebrar a ilusão que viveremos eternamente. A forma como encaramos a morte pode ajudar ou piorar nosso enlutamento no momento em que acontece a perda (num outro texto irei abordar os aspectos espirituais, como diversas religões encaram a morte).

O que mais percebo pelas experiências que passei e por trabalhar com famílias que estão no período de luto, é que temos algo que queriamos ter feito, é como se tivessemos algum poder sobre a vida e queriamos ter salvo aquele ente para continuar vivendo conosco. Ao mesmo tempo, a culpa pode vir de algo do passado que aconteceu e não foi bem resolvido, uma mágoa, um pedido de perdão que não foi feito, um mal-entedido que não foi conversado. Existem casos que algum dos membros num momento de raiva desejou ou disse que preferia que a pessoa morresse, isso gera uma enorme culpa fantasiosa inclusive como se aquele desejo tivesse se tornado realidade.

A palavra que mais fica nos primeiros momentos da perda é “E SE…”  As pessoas se perguntam e se eu estivesse perto naquela hora? E se eu tivesse feito diferente? É como se quem fica tivesse o poder de fazer algo por aquele que partiu, existe um sentimento de culpa muitas vezes como se não foi feito o suficiente. É um sofrimento com uma possibilidade que nunca exitiu é como se a mente quisesse voltar ao tempo para verificar se exitiria alguma forma de mudar a realidade, é nossa mente demostrando a enorme dificuldade momentanea de aceitar a perda de fato.

Tudo isso faz parte do processo de luto, que não é como as pessoas imaginam, leva-se uma média de dois anos para aceitar e processar a perda de quem amamos. A dor é inevitável, e leva-se tempo para que a dor transforme-se em saudade. Leva-se tempo para retomarmos a nossa alegria de viver, é como se um pedacinho da gente tivesse morrido junto.

No entanto, costumo dizer não podemos viver pela metade, parte de nós quer morrer e ir com a pessoa que amamos, parte de nós quer viver… e se não resolvermos este processo de luto podemos sim desenvolver transtornos depressivos ou doenças mentais mais servera. Algumas pessoas continuam suas vidas, porém vivendo como mortos-vivos, como se não pudessem viver por completo novamente, como se a alegria não pudesse ser restaurada.

Por isso é importante falarmos sobre a morte, a sociedade atual por sua vez, não aceita que as pessoas passem por seu luto, no tempo e ritmo da família. Aparentemente, existe uma pressão para que a pessoa enlutada volte seguir sua vida normalmente e supere o acontecido.  Antigamente, existiam rituais que caracterizavam a perda e dava um significado que ajudava a superar, por exemplo: o vestir preto por determinado período. Claro que não a vida toda como a Rainha Vitoria o fez, mas aquele período que a pessoa caracteriza como simbólico de processar a perda, até que no fim do periodo determinado, possa sentir que consegue seguir com sua vida e ser feliz mesmo depois da perda.

Os rituais são muito importantes e terapêuticos, se as pessoas estão passando por periodos muito longos mais de 2 anos de enlutamento, sugere-se que busque profissionais (a psicoterapia é a mais indicada) para ajudar neste processo. Mas o ritual do funeral, o ritual do sétimo dia de despedida do ente amado, o ritual de fazer uma homenagem falando a todos no momento do velório quem foi esta pessoa, o que ela nos ensinou, nos deixou como legado, história, aprendizagem, são rituais que nos ajudam a superar a perda. Ao estarmos falando sobres as coisas boas que esta pessoa nos deixou, temos um consolo de que não a perdemos mas que sempre estará em nosso coração e nos ensinamentos que deixou.

Existem enlutamentos difíceis de serem feitos, como quando não se tem o corpo da pessoa, quando houve um desaparecimento e não se sabe apesar de anos se a pessoa está morta ou viva. Isso pode acontecer com imigrantes que partiram, mas também com situações, como acontecia na época da ditadura onde muitos desapareceram e nunca retornaram.

Para quem vive longe da família, é também muito difícil não estar por perto na hora da morte de uma pessoa amada ou mesmo não conseguir ir até o velório e funeral. Por isso, muitas vezes em terapia trabalhamos com rituais de despedidas, para que o luto possa ser efetuado, que possamos da mesma forma, fazer a despedida que nos foi negada pela distância, pelo tempo, espaço, condições de vida entre outras.

Sugiro as pessoas que estão longe e não podem ir ao funeral, escrever uma carta de despedida, fazer uma homenagem aquela pessoa que lhe foi especial, ir a um espaço de oração e de alguma forma ritualizar a perda deste ente amado.

Quando falamos sobre perdas na família, inclusive com crianças, começamos a integrar a morte no ciclo de vida familiar, ela faz parte e irá acontecer e por isso deve ser encarada de forma mais natural. Quanto mais existem tentativas de “proteger” as crianças, evitando falar dos animais de estimação que morreram ou não permitindo que participe do ritual  de funeral, enfim isso só tornará os futuros lutos mais dificeis de serem processados. Precisamos aprender com perdar pequenas, ver o ciclo de vida que inicia, cresce e termina, isso ajudará nossos filhos, futuros adultos, a aceitarem mais facilmente que todos irão partir e nossos pais não estarão para sempre conosco.

As perdas mais dificeis de serem elaboradas são perdas repentinas de filhos ou crianças pequenas, porque pela lógica natural, os mais velhos, os pais irão antes que os filhos e quando o contrário acontece é muito dificil passar pelo processo sozinho. Lembrem que psicólogos e terapeutas podem ajudar nestes momentos dificeis da família.

Um fator importante pra quem está em sua finitude com uma doença terminal ou  está passando por situações de risco de morte, é como vivemos nossa vida até este momento e como será a passagem. Algumas pessoas não querem morrem em hospitais longe dos familiares, e isso precisa ser respeitado! Existem situações que prolongar a vida do doente terminal através de aparelhos é apenas prolongar o sofrimento. É egoísmo nosso querer que quem amamos fique vivo a qualquer custo, mesmo que ele sofra, para que nós não passamos pelo sofrimento da perda. Precisamos é estar com quem amamos e demostrar nosso amor enquanto estão conosco nesta vida.

A morte é importante e ela faz com que valorizemos a vida,somos seres  finitos (com tempo determinado para terminar), então devemos fazer com que nosso tempos aqui na terra tenha sentido, seja bem vivido.

A a vida é uma piscar de olhos, é frágil e podemos viver o melhor que nós pudermos enquanto estamos aqui, sem hora marcada temos minutos e horas que precisamos usar com sabedoria, aproveitar o melhor que pudermos para realizar nossos sonhos, para demonstrarmos nosso amor a todos que estão perto ou longe. O que levaremos depois que morrermos não será nada além da vida que vivemos, das aprendizagens, das alegrias, das lutas e mudanças que fizemos para melhor a vida de quem irá ficar.

A todos que hoje estão passando por um momento de perda, meu grande abraço de conforto, a todos que irão passar, lembre-se de demosntrarem e darem seu melhor as pessoas que vocês amam, e a todos nós que um dia iremos partir desta vida, que possamos ir com certeza que fizemos nosso melhor, amamos, rimos, choramos, curtimos, compartilhamos amor e cuidado.

Em latin “Carpe Diem  /ˌkɑːpeɪ ˈdiːɛm,ˈdʌɪɛm/ = Faça o melhor que puder do seu presenteAPROVEITE O DIA!

Se quiseres saber mais sugiro a leitura dos livros :

  1. Entre a Morte e o Morrer” da autora Elizabeth Kubler Ross, é uma médica pesquisadora que acompanhou os estados terminais de milhares de pacientes e com isso descreve as fases do luto.
  2.  ” A vida após a vida” do Autor Raymond Moondy A. Jr., médico em um hospital no setor de emergencia fez pesquisas com pessoas que era consideradas clinicamente mortas, mas que retornavam, da qual descrever como “experiências de quase morte”.
  3. E livro que é mais para psicólogos ou profissionais que lidam diretamente com as famílias enlutadas: ” Morte na Família: sobrevivendo as perdas” da Monica McGoldrick, onde ela trata os diferentes aspectos envolvidos na família, como aquela pessoa que assume as funções de quem partiu, e como a família pode voltar a se estruturar após a perda de um membro.

Enfim espero que as reflexões possam ajudar a passar por esses momentos tristes de perdas, e se você gostou compartilhe também com algum amigo. Obrigada!

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