Você já ouviu falar em MINIMALISMO? Ou ainda acha que é um movimento hippie moderno daquele povo que resolve não ter nada dentro de casa?

Bom, eu comecei a despertar para o assunto há 6 anos atrás quando nós nos  mudamos do Brasil para Londres. Éramos apenas 3, e acredite tive que fazer minha casa inteira caber dentro de 3 malas de 32 kg. 

De início foi aquela dúvida de como vou viver só com 3 malas? Impossível, impensável, mas na prática a realidade foi outra. Quando me deparei com a quantidade de coisas que possuía, mas não usava regularmente – algumas nunca cheguei a usar.

Quando chegamos em Londres me deu uma estranha sensação de liberdade, leveza e eu estava decidida que não queria mudar isso.

Foi nosso primeiro passo para um Consumo Consciente. Mas até ai não era muita novidade pois nunca fomos extremamente consumistas, sempre ponderamos se o que queríamos comprar era necessário, nunca nos endividamos por nenhum bem material, consumível. 

Afinal, vontade dá e passa.

Cinco anos se passaram e nos mudamos para Portugal e acredite, por maior que nosso esforço fosse, ainda tínhamos muito mais coisas do que precisávamos ou utilizávamos.

Foi nessa época que nos aprofundamos mais em conhecer o minimalismo, até então eu achava que era não ter nada de tecnologia, ou móveis em casa, achava que a casa tinha que ser vazia e tal… Isso definitivamente não era minha praia. Somos uma família tecnológica, gostamos disso.

Como sempre digo, a informação é uma arma poderosa! Em nossos estudos descobri que minimalismo não tem nada a ver com o que eu pensava. Na verdade a essência do minimalismo é ter e consumir o que faz sentido para você. 

Se você tem uma coleção de discos de vinil, que é muito importante, tem sentido – ótimo! Continue, pois é algo que de certa forma agrega a você.

Ser minimalista não significa que precisara se desfazer de tudo que você tem, o grande X da questão é o excesso, a inutilidade. As coisas que compramos sem a menor necessidade ou por razões fúteis. O famoso Comprar por comprar, sem a menor reflexão do real motivo  pelo qual queremos comprar.

Quando aluguei nosso apartamento em Portugal, precisamos comprar algumas mobilias, na sala tem uma mesa de madeira e vidro LINDA! Coisa cara, chique sabe? Mas não tinha cadeiras, na cozinha também tem uma mesa, bem mais modesta e menos elegante do que a da sala, mas essa já tinha 4 cadeiras. Na empolgação de mobiliar a casa nova compramos 4 cadeiras de madeira lindas e caras para acompanhar a tal mesa bonitona na sala. 

Um ano se passou e sabe quantas vezes fizemos refeições na sala? NENHUMA. Usamos sempre a modesta mesa na cozinha. E sabe para que uso as cadeiras super caras? Para bloquear o acesso da Rebeca a estante de livros. Totalmente desnecessário ter comprado essas cadeiras!

A cada dia que passa vamos aprendendo mais e nos acostumando ao consumo consciente.

Hoje todo o meu guarda roupa cabe numa mala de mão! Falo com orgulho, todas as peças de roupa que eu tenho eu uso. Tenho o necessário. Sabe quantos pares de sapato eu tenho? Uma bota, um par de tênis e uma sapatilha do estilo moleca. E ainda é muito, porque eu amo meu tênis, onde vou só uso ele. 

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Aqui em casa não temos a obrigação de presentear ninguém em datas especiais como natal, dia da criança e até mesmo aniversário. 

Prezamos pelo convívio, um passeio em família, um momento ao invés de um presente. 

Claro que damos presentes a nossos filhos, mas tudo que agrega a nossa filosofia de vida. também ensinamos a alegria de doar, reciclar, reutilizar. 

Não e demérito algum comprar roupas em brechos ou de segunda mão. Marcas famosas também não tem vez aqui, a não ser que sejam extremamente boas, de verdade.

Com as crianças sinto que a pressão é muito grande! As empresas de publicidade investem pesado nesses mini consumistas, porque sabem que, terão no  futuro adultos consumistas compulsivos.

É urgente a necessidade de ensinar nossos filhos a consumirem com responsabilidade .

Pequenos gestos diários vão forjando o pensamento crítico e o consumo consciente.

Algumas dicas para ajudar os pequenos:

  • Faça uma limpeza nas roupas e brinquedos com a criança, explique a importância de doar o roupas e brinquedos. Ensine como o brinquedo que ele não brinca mais pode fazer a alegria de uma criança.
  • Valorize momentos ao invés de presentes. Diga o quanto assistir um filme juntinho comendo pipoca juntos vale mais que um milhão de dólares.
  • Ensine gratidão. Mostre o quão agraciado vocês são, e como são felizes por terem um ao outro e que nada material pode fazê los mais felizes do que o amor que sentem.
  • Toda vez que ele pedir para comprar algo SEMPRE pergunte o por que de ele querer e não aceite respostas do tipo: “porque todo mundo tem” “porque vou parecer legal ou mais bonito”. Ensine a ele que as pessoas tem que gostar dele por quem ele é e não pelo o que tem. E ainda que o que faz uma pessoa bonita ou legal são as atitudes e não brinquedos e roupas.
  • Seja você o exemplo. Não adianta ensinar seu filho, e sair comprando milhões de sapatos e bolsas que ficarão jogadas no fundo do guarda roupas.
  • Aprecie cartões e desenhos feito por ele. Mostre orgulho pelo esforço e tempo dedicado.
  • Quando for ao supermercado dê a ele uma certa quantia em dinheiro para que ele possa comprar o que quiser. Não interfira na escolha e não pague caso ele ultrapasse o orçamento. É importante saber o preço das coisas.
  • Resista ao impulso de comprar tudo para seu filho. Presentes não substituem a sua presença.
  • Use premiações de momentos, ao invés de ganhar tal coisa pelo esforço use um passeio em família como prêmio. Não precisa ser viagem ou nada caro, uma simples ida a sorveteria ou ao cinema já serão o prêmio perfeito.

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Você já leu o post que temos sobre como evitar excessos no Natal?  Clique aqui e descubra 5 ideias incríveis para fazer do seu Natal ainda mais especial!

Se você Tem mais alguma dica de como ajudar as crianças a não se renderem aos apelos consumistas da TV e internet, Conta aqui nos comentários o que você faz aí na sua casa também…

Um abraço,

Marcielly Azevedo

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