Uma nova geração de crianças vem crescendo com muita força, a educação infantil  vem se modificando ao longo das décadas, saindo de um extremo autoritarismo  para um extremo permissivismo parental. Tanto que foi criado o conceito “Síndrome da Criança de Ouro”.

A criança de ouro, são os nossos pequenos príncipes e princesas, que desejamos protege-los tanto de qualquer sofrimento, protegemos de qualquer dor ou frustração, sim damos nossas vidas por eles. É tanto amor, que a família toda gira em torno do pequeno “rei” ou “rainha”. Eles são inteligentes, fantásticos, ficamos maravilhados com a capacidade de aprendizagem e absorção do novo. Os pais amigos não conseguem nem mais ter dialogo tudo gira em torno da criança.

No entanto, por mais amor que temos parece que a questão educacional se perde em algum momento; e os papéis de pais e mães se confundem com o desejo de querer ser amigo do filho, de mostrar que é legal, ou querer que a criança goste mais do pai, da mãe ou da avó.

Queremos tanto que eles cresçam com uma autoestima boa, que podemos muitas vezes confundir o que é uma qualidade e habilidade real de nossos filhos, com qualidades que nem tem como identificar na fase especifica de desenvolvimento. Criamos a ideia de que se a criança se frustar pode ser prejudicial, pois se sentirá inferior, ou que não tem capacidades. Esse conceito é desconectado da realidade, pois no mundo real as coisas não são como queremos e muitas vezes precisamos lutar muito para conseguir algo, ou seja precisamos sim muita tolerância e persistência para viver neste mundo real.

Por tentarmos fazer diferente do estilo parental autoritário formos para a permissividade, com desculpas como ” a criança é assim mesmo”, ” criança faz bagunça, não sabe se comportar”, claro que existe suas fases e tudo é uma questão de aprendizagem.

Todavia, esta educação em que os pais servem a criança, onde ela é o centro do universo, e tudo gira ao redor dela tem gerado um efeito muito impressionante no caracter da nova geração. Como resultado, essas crianças precisam  sentir-se especiais a qualquer custo. Eles são os príncipes herdeiros de um trono imaginário. A necessidade de receber atenção, de ser elogiada, de receber likes e seguidores entre adolescentes e jovens mostra o quanto a autoestima e autoaceitação dessa geração na verdade está mais frágil e superficial do que em qualquer geração anterior.

Temos atualmente uma geração que pode ter sentimentos de superioridade sobre os demais colegas, pois eles são especiais, tem talentos maravilhosos e únicos, mas ao perceber que os outros também são talentosos, se deprimem por perceber que não são tão “únicos” assim. Uma geração que pode ser grosseira e até abusiva com o pais ou a mãe, que podem conseguir tudo o que querem, e não aprenderam a tolerar o “não”, a tolerar a frustração, o tédio, a espera e  nem mesmo a hierarquia (superior lhe mande como professores, por exemplo.).

Claro que, não vamos voltar ao tempo da educação violenta, ou do autoritarismo sem medidas.

  Vou mostrar alguns estilos parentais que podemos muitas vezes permear, ou seja podemos ter todos os estilos parentais abaixo dependendo da situação, alguns dos estilos podemos assumir em situações dificeis ou extremas, e podemos ir do estilo autoritario ao permissivo, do negligente ao estilo autoridade competente.

Sempre tem um estilo, que mais fortemente adotamos no dia a dia:

parenting

O estilo Autoritário, os pais impõem regras e consequências, mas não ouve ou considera os sentimentos da criança, não explica as razões de suas regras: é assim porque mandei e pronto! É restritivo, firme, muitas vezes pode utilizar punições severas (palmadas, chineladas etc.) porém sem negociação nem dialogo.

No estilo Permissivo, os pais entendem que a criança é bagunceira e levada, “criança é assim mesmo”, e mesmo que tentem colocar regras, muitas vezes não tem consistência e não dá continuidade. Logo quando a criança chora por uma brinquedo ou alguma coisa, os pais acabam cedendo para que ela não se sinta frustada. Geralmente as consequências são promessas não cumpridas ou que não podem cumprir, e que os pais acabam cedendo se a criança pedir desculpas ou prometer que vai ter um comportamento melhor, assim a criança não aprende que suas atitudes tem consequências. Sendo que muitas vezes esses pais podem sentir-se culpados e tentar super compensar a criança com bens materiais, tendo como desculpa ausência e falta da devida atenção por conta do trabalho.

No estilo Negligente, os pais não tem muito envolvimento, acabam dando mais atenção a outras atividades, não estão presentes nem acompanham as necessidades nem de educação nem de atenção da criança. Não buscam saber quem são os amigos da criança, se ela se alimentou, o que fez e como está indo na escola, é mais fácil deixar a criança horas e horas no playstation ou assistindo televisão, do que ter que tirar tempo para fazer o dever de casa ou ensinar jogar bola.

No estilo Autoridade Competente ou “Authoritative” – em tradução ao inglês podemos ter autoridade oficial ou competente – difere-se do autoritarismo impositivo. Os pais são autoridades e exercem seu papel como pais que educam, colocam limites, e explicam as razões das regras. Colocam energia para manter uma relação amorosa e ao mesmo tempo com firmeza, para que a criança perceba-se amada, mas aprenda a corrigir seu erros. O elogio das atitudes positivas e comportamentos são feitos sempre que as crianças mostram suas habilidades, e se esforçam para manter um bom comportamento, mas existem regras, rotinas, momentos de brincar, momentos de atividades e estudos. As consequências são compreendidas conforme as fases da criança, e se mantem firmes, como retirar o video game ou televisão por um tempo determinado. As atividades da casa são ensinadas para que a criança aprenda a colaborar e não apenas ser servidas.

Enfim estes estilos parentais são bem importantes para termos a noção de que adultos estamos formando.

Será que queremos nossos filhos especiais, pequenos reis e rainhas, onde eles querem ser servidos pelas demais pessoas, sem dar valor ao trabalho dos pais, do próprio empregado que o está servindo?

O sentimento de superioridade é também uma das causas da falta de tolerância ao diferente. A dificuldade atual que os jovens tem de lidar com autoridades e ou opiniões contrárias, e mesmo ao extremo de termos hoje filhos que são violentos com pais e professores, que ao não terem seus desejos atendidos, se tornam agressivas e sem limites.

Já atendi famílias com filhos adultos vivendo ainda na casa dos pais como se fossem apenas receber dos pais, não aprenderam a fazer sua parte, nem a dar sua ajuda na contribuição familiar, são egoístas e ainda acham que estão certos e o mundo a sua volta que precisa se ajustar a eles. Nenhum trabalho é a altura da genialidade deles, e todo esforço para uma atividade deveria ser premiado com alguma recompensa. A famosa frase: O que eu ganho com isso?

Ao mesmo tempo, quando tentamos trabalhar de forma que a criança aprenda os limites, regras, deveres, saiba que as atitudes tanto boas como ruins tem consequências,  que para usufruir dos direitos precisa fazer a sua parte. Somente assim, estimulamos a colaboração, a empatia (o colocar-se no lugar do outro), a gratidão e a valorização pelo trabalho dos demais, o respeito, a ideia de igualdade sem ser inferior nem superior ao outro. Fortalecemos a ideia de coletividade a invés de individualidade (o centro do mundo é seu umbigo), onde esse sujeito em construção aprende que pode também contribuir para um mundo melhor.

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