Vamos falar sobre Educação?

Quando eu conheci o Homeschooling ou a Educação domiciliar (termo usado no Brasil) ou o Ensino Doméstico (termo usado aqui em Portugal) eu não tinha filhos, era apenas uma jovem casada terminando a faculdade de letras e professora formada pelo extinto curso Normal.

Eu comecei a trabalhar numa cooperativa de ensino para crianças estrangeiras cujo os pais estavam no Brasil por contrato de trabalho, logo não seria produtivo frequentar uma escola brasileira por 2 ou 3 anos apenas e depois voltar ao seu país de origem, ou ainda mudar para um terceiro país.

Ali estava eu no meio daquela cooperativa com crianças de várias idades juntas, no mesmo ambiente, todas falando inglês, usando um curriculum americano que era designado a pais que educam filhos em casa.

Esse foi meu primeiro choque: Como assim? Existem pais que não mandam seus filhos para escola? Por quê? Qual a razão? E ainda: existe um currículo organizado, preparado que ensina os pais a ensinarem os filhos?!

Era muita novidade para mim…

Poucos dias no meu novo emprego foram o suficiente para me encantar com o tipo de educação alternativa que eu estava a conhecer. Nunca em minha vida docente imaginei que crianças de 3 anos pudessem conviver e aprender no mesmo ambiente com outras crianças de 4,5 e 6 anos. Isso para mim era incabível, uma vez que nosso sistema educacional e dividido e separado por idade.

Resolvi que antes de formar qualquer opinião antecipada, ou infundada sobre o assunto, eu iria pesquisar, e buscar informações mas acima de tudo eu decidi me PERMITIR conhecer algo novo sem qualquer desconfiança. E foi a melhor decisão!

Foi ali numa cooperativa de ensino em inglês onde eu vi crianças felizes aprendendo sem pressão, sem provas nem testes, sem comparações, sem a menor noção de series, ou notas.
O que eu vi ali foi um ambiente incrível de cooperação, onde a criança de 7 ajudava o de 3 em algumas atividades, onde a criança de 6 lia um livro para uma de 4 que estava começando a se interessar por letras e números. Quanto aprendizado! Muito além de letras e números, eles estavam aprendendo a compartilhar, colaborar, viver em harmonia com diferentes idades e personalidades. Isso me encantou, e me encanta até hoje!

E o material? Ahh esse também foi uma quebra de paradigma! Os manuais do educador eram tão simples de entender, práticos e sempre com mensagens positivas que faziam valer a máxima “Respeite o tempo da criança – se hoje ele não entendeu um conceito, pare e retome na semana que vem ou no mês que vem, uma hora a criança vai estar pronta para entender”
COMO ASSIM? E o cronograma? e o planejamento? Não dá para parar meu planejamento pedagógico para esperar o tempo da criança, eu pensei. A verdade simples e tão óbvia, mas ainda sim muito diferente da realidade, que a criança deve ser o principal objetivo na educação e não meu planejamento ou vontades.

Esse foi o meu primeiro contato com uma educação mais alternativa, foi tão positivo que me fez olhar para trás e pensar na minha própria educação: O que eu lembrava das matérias que estudei quando criança, das coisas que aprendi mas nunca usei na minha vida, e das noites mal dormidas antes de provas e testes, da vergonha de tirar uma nota vermelha, do sentimento de fracasso quando eu ia para prova de recuperação, da frustração de querer explorar mais um assunto que me identifiquei e me interessei, mas ja tinha que estudar outro capitulo, e isso tudo me fez pensar: E “se” educação pudesse ser algo individual? Tendo como base os interesses da criança? E “se” pudesse ser algo divertido? E “se” pudesse ser leve? Será que não seria mais eficaz?

Esses questionamentos me deram força para sair do estágio “culpar o governo pela falta de educação de qualidade” e me fez querer fazer a diferença na educação do mundo a começar pelos meus filhos. E muitos dos meus questionamentos e experiencias eu vou sempre compartilhar com vocês aqui no blog…

Um abraço,

Marcielly Azevedo

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Autor: Marcielly Azevedo

Mae do Vinicius e da Rebeca, esposa do Eder. Homeschooler, apaixonada por Educação Livre e Criação com Apego Ja morou no Brasil, Londres, atualmente em Portugal.

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