Qual a sua missão no Mundo?

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O primeiro dia em que entrei numa sala de aula, não como aluna, eu tinha 16 anos e estava no segundo ano do curso de “Formação de Professores”, o extinto Curso Normal. Eu era uma adolescente sonhadora que queria impactar a sociedade, influenciar a vida das pessoas e tinha uma vontade enorme de salvar o mundo inteiro, e na minha cabeça ser professora era profissão ideal.

Foi quando eu e outras 4 alunas recebemos um convite para dar “apoio pedagógico” a uma escola publica do bairro, muito animada pela grande oportunidade eu fui.

Quando cheguei na escola, era uma turma de 16 alunos de 4 anos, a diretora nos chamou e separou nos em 2 duplas – cada dupla ficaria numa sala. Eu e minha amiga fomos designadas para a turma B, segundo a diretora era uma turma complicada, muito indisciplinada por se tratar de “alunos em situações de risco”.

Quando entrei na sala, foi bem diferente de tudo que eu sonhava para meu primeiro dia numa sala de aula.

Me deparei com uma sala de aula fria, uma atmosfera sombria e melancólica, uma tristeza e apatia que nao condiz em nada com um grupo de crianças de 4 anos de idade. Logo eu saberia que todas as crianças ali eram extremamente marcadas pela vida, e traziam consigo marcas muito profundas. A maioria tinha sido vítima de abuso sexual, um tinha marcas de queimaduras feito pela mãe que numa crise de loucura tentou atear fogo nele. Outro tinha HIV, outro não falava, outra não conseguia fazer contato visual com nenhum adulto devido os traumas que vivera… Eu fiquei arrasada!

Foi a primeira vez que tive a sensação de que o mundo não tinha mais jeito, o sentimento de injustiça ardia em meu peito, mas ao mesmo tempo o peso da opressão daquelas crianças caia pesado sobre os meus ombros e me senti incapaz…

Cheguei em casa e quando minha mãe me perguntou super empolgada como tinha sido meu dia, eu desabei em lágrimas contando para ela cada detalhe sobre cada criança. Eu só sabia chorar, chorei até soluçar, chorei de raiva dos governantes por não oferecer tratamento e suporte adequado para as crianças; chorei de dor por cada criança que teve uma parte de sua infância marcada por eventos trágicos, chorei por medo do que o mundo realmente é, chorei de desespero por não saber como ajudar… E minha mãe ali tentando me consolar, me animar e dizendo que eu não poderia salvar o mundo inteiro, que eu deveria fazer meu melhor para ajudar quem eu podia e não deixar o peso do mundo me esmagar e me paralisar.

Minha mãe estava certa.

A injustiça e maldade sempre estarão presente nesse mundo em que vivemos, mas essa certeza não deve nos paralisar ou nos trazer conformismo. Muito pelo contrario, se você puder ajudar uma pessoa, se puder fazer uma boa ação por dia, sem querer nada em troca, sem esperar recompensa por isso, mas pelo simples prazer e satisfação de que esta contribuindo de forma positiva para o mundo, isso já é o suficiente.

Pense mais além: se você pode contaminar as pessoas com atitudes de amor e espalhar essa corrente do bem, e se cada um tocado por você fizer o mesmo, ja pensou que mundo grato teríamos? Não seria maravilhoso? Utópico? Talvez sim, mas eu resolvi seguir o conselho que minha mae me deu anos atrás: Vou fazer o que eu puder para ajudar quem está ao meu alcance e não vou me deixar paralisar pela injustiça do dia a dia. Uma andorinha pode até nao fazer verão, mas alegra o coração de quem a vê…

Eu quero ser essa andorinha! E você?

Já parou para pensar no seu papel aqui no mundo? O por quê de estar vivo? Você certamente não está aqui a passeio, tenho a certeza que podes colaborar e muito para transformar esse mundo num lugar muito mais agradável de viver.

Se você nunca pensou nisso, e ou não sabe como e o que fazer, comece alegrando o dia de alguém: De bom dia ao motorista do ônibus, ofereça seu lugar a um idoso ou uma mãe com criança, escreva um email de agradecimento a alguém que te fez bem, elogie o vendedor que te atendeu tão bem, ajude alguém a atravessar a rua, leia uma historia para uma criança, oferte 20 minutos do seu dia para escutar as histórias de um idoso e assim vamos espalhar essa corrente do bem por ai…

Não esqueça: Você tem uma missão importante nesse mundo. Não adianta ficar parado reclamando da vida e não fazer nada para contribuir… Seja você a mudança que tanto quer ver no mundo!

Um abraco,

Marcielly Azevedo

Photo by Ben White on Unsplash

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Autor: Marcielly Azevedo

Mae do Vinicius e da Rebeca, esposa do Eder. Homeschooler, apaixonada por Educação Livre e Criação com Apego Ja morou no Brasil, Londres, atualmente em Portugal.

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