Tristeza Pós Parto

Gostaria de compartilhar com vocês um assunto difícil para mim, mas acho necessário escrever.

Me descobri grávida aos 29 anos, aqui na Grécia, e foi um susto grande. Meu marido comemorava, e eu chorava. Eu seria responsável por uma vida, pelo resto da vida.

A gravidez correu bem, tudo normal. Passei o Natal no Brasil e fui muito mimada, aproveitei minha família, curti escolher o jogo do berço, fiz muitas fotos orgulhosa da barriga. Voltamos pra Grécia, arrumamos o quartinho. Com a proximidade da parto, veio a decisão: clínica particular, com anestesia ou hospital, sem anestesia?

Na clínica, onde o parto custaria 2 mil Euros, eu teria o conforto do quarto privado, a anestesia, privacidade, mas lá não havia UTI ou qualquer estrutura caso houvesse uma emergência. Por conta disso minha decisão foi fácil, seria no Hospital, sem anestesia pois aqui não dão. Eu não queria ter que esperar uma ambulância caso houvesse algum imprevisto.

Minha bolsa estourou a 1 da madrugada, dia 1o de Abril de 2009. Pegamos as nossas trouxas e fomos pro Hospital. Fui examinada e fiquei aguardando… o parto ativo começou por volta das 6 da manhã, e a partir daí foi tudo tão rápido que não me lembro muito bem. Meu filho nasceu saudável às 10:45, ele resolveu que iria nascer e veio, rapidão.

A dor do parto é real, algo que te dilacera, me fez perder a noção do tempo e do espaço. Mas, como tudo na vida tem um lado positivo, é uma experiência incrivelmente empoderadora, e a dor passa imediatamente após o nascimento, é um milagre mesmo. Se tivesse outro filho hoje, seria novamente sem anestesia. Na sala de parto, eu levantei, me troquei, peguei meu filho e fui para o quarto, assim, como se nada tivesse acontecido. A foto que ilustra o post foi tirada assim que cheguei no meu quarto. Não sabia nem limpar os olhos do Pan, tadinho.

Aí começou a fase mais difícil da minha vida: o puerpério. Ainda na maternidade, o Pediatra pediu que eu desse fórmula, eu não entendi porque… tentei amamentar, mas não conseguia. Pedi ajuda para as enfermeiras, e, fui negada, disseram que não era o trabalho delas. Ouvi que meu leite era fraco, que meu filho não o queria, que não o saciava. Queria minha família, minha mãe, irmã, avó, que alguém me ajudasse. Minha sogra também não sabia, não amamentou… Eu não conseguia me conectar com o bebê.

Minha mãe veio e foi só alegria, amamentei. Passeamos, curtimos o bebê, muito colo. Mas ela foi embora, e foi nessa hora que eu me dei conta que estava longe, que a minha escolha de casar com um estrangeiro teria consequências. Meu leite secou.

Minha sogra foi muito importante, ela ficava junto, ajudava, conversava comigo, cuidava do meu filho.

Hoje, quase nove anos depois, lembro dessa época e me pergunto se fui boa mãe, se foi imaturidade. Vejo vídeos e fotos e vejo o amor pelo meu filho expresso nos meus gestos, nos meus olhares, nos sorrisos que ele me dava. Percebo que, apesar da confusão interna, eu estava lá, eu criei e cuidei, dei amor, ensinei e aprendi.

Se você conhece uma mãe que não conseguiu amamentar ou passou por uma cesárea, não a julgue! Pense! Talvez tenha sido por opção, mas talvez não, e talvez ela também esteja precisando de ajuda ou acompanhamento.

Não comece com o blá-blá-blá da fórmula, que as crianças que foram amamentadas são melhores… Você não é melhor que a outra. Tem muita gente hipócrita por aí. Sei de gente se orgulhando por terem amamentado, mas davam guaraná e coca-cola pra criança pequena dentro do copinho com bico… tenham bom senso, respeito e compaixão.

Foto Marina Marques, Campinas, 2014

Para mim, a Maternidade foi aprendida, foi um passo por dia. Em Setembro de 2014, mudamos pra Irlanda, e foi lá, sem família nenhuma, somente nos três, que eu venci.

A maternidade desabrochou, sai da crisálida. Levava e buscava na escola, fazia lição, o almoço e o jantar, dava banho, lavava a roupa. Cuidei, aninhei meu menino, brinquei muito, e hoje sei que a maternidade é a melhor parte de mim.

Se você está lendo este texto e está passando pela mesma experiência que eu passei, saiba: vai passar. Confie em você, no seu instinto. Não acredite nos comentários maldosos. Não existe leite fraco. Abrace, beije, embale seu bebê, porque ele cresce. Tenha sempre alguém por perto, alguém que você confie, que te traga conforto e auxílio.

E se você achar que sua tristeza está te trazendo pensamentos “ruins”, ou que está durando muito tempo, busque ajuda, não sinta vergonha por esses sentimentos, milhões de mulheres passam por uma tristeza pós parto e não buscam ajudam achando que é errado sentir se triste, não ter aquele apego que todos dizem. Busque ajude com seus familiares falem com eles e se necessário com profissionais ou pessoas que você sinta confiança.

Lembre-se você é a melhor mãe que seu filho pode ter!

Você é mãe, acredite em você! ❤️

Anúncios

Autor: Ana Carolina Gebin

Mãe, Μαμά, Mommy... Being a Mom is to constantly learn.

6 pensamentos

  1. Meu maior medo atual é o puerpério. Estou com 37 semanas e tbm vivo no exterior, somente eu e marido. Não sei como vai ser, torço muito que eu consiga ficar equilibrada e com a cabeça saudável. Obrigada por compartilhar sua experiência. Um beijo grande!

    Curtir

    1. Não posso prometer que será fácil, pois não será, mas será passageiro! Será o início da segunda fase de sua vida, a fase que você será mãe, e posso te garantir que, apesar da dificuldade no início, é a fase que mais tenho orgulho de mim como mulher. Te desejo tudo de bom, e saiba que você tem a gente pra compartilhar, é só chamar!

      Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s