A importância do brincar no desenvolvimento infantil!

Com tanta tecnologia atualmente o brincar se tornou uma atividade muito intelectualizada para as crianças e adolescentes. As brincadeiras que podemos considerar psicomotoras (correr, pular corda, subir em arvore, pega-pega), vem sendo substituídas por brinquedos que chamam a atenção, mas são exclusivamente intelectuais, sedentários e geralmente mais solitários do que atividades sociais e motoras.
Após ter meu filho em Londres e frequentar diferentes espaços de estimulação, comecei a refletir sobre o processo que enfrentamos com essa “geração digital de tablets, computadores e games”.
Mas porque é importante que a criança tenha atividades lúdicas motoras?
Para Vygotsky em seu livro “A formação social da mente” (1989), o ato de brincar é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, o brincar também libera a criança das limitações do mundo real, permitindo que ela crie situações imaginárias. Ao mesmo tempo é uma ação simbólica essencialmente social, que depende das expectativas e convenções presentes na cultura. Quando duas crianças brincam de casinha imaginando ser mãe e filho, por exemplo, elas fazem uso da imaginação, mas, ao mesmo tempo, não podem se comportar de qualquer forma; devem, sim, obedecer às regras do comportamento esperado para um bebê e uma mãe, dentro de sua cultura.
Brincar com outras crianças é muito diferente de brincar somente com adultos, pois é a través da brincadeira com o outro que a criança aprende o comportamento social. O brinquedo entre pares possui maior variedade de estratégias de improviso, envolve mais negociações, desenvolve senso de competição e também de cooperação.
Esse processo é tão importante que em Londres existem “Children Center” – Centros da Criança para oferecer a mães e crianças um espaço de estimulação e contato social.
Neste espaços existem diferentes atividades, como sessões musicais, contação de estórias, cursos para as mães sobre diferentes temas, espaços de estimulação multisensorial .

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Na verdade, não é necessário espaços especiais para estimular as crianças, coisas caseiras, panelas, o cheiro dos temperos, ouvir o som dos pássaros, e observar os insetos na natureza, tudo faz parte do poder interagir com o outro e o ambiente que estamos inseridos.


Piaget explica que a criança se desenvolve através do lúdico, assimilando o mundo e as regras através das brincadeiras e jogos. E ressalta que a psicomotricidade e a noção do desenvolvimento corporal é desenvolvido através de brincadeiras motoras, e esta por sua vez ajuda a criança a desenvolver-se intelectualmente, mesmo a escrita ou leitura é estimulado, pois o desenvolvimento da lateralidade (esquerdo – direito), as noções de tamanhos, altura, sensações, controle do corpo ajudam a criança a desenvolver habilidades necessárias para o desenvolvimento de atividades intelectuais futuras.
Existem pesquisas que estão sendo realizadas com objetivo de mapear as consequências que a televisão e os videogames podem causar na subjetividade da criança, já que ela aprende e assimila o mundo por imitação. Segundo os resultados apresentados na revista médica Pediatrics, as crianças que vêem menos de duas horas à televisão por dia na infância, não aumentam seu risco de sofrer transtornos de atenção na adolescência. A partir da terceira hora, o risco aumenta cerca de 44% por cada hora adicional que se passa cada dia diante da TV. “Os efeitos foram especialmente encontrados em crianças que assistiam à TV mais de três horas diárias”, destaca Bob Hancox, diretor do estudo, da Universidade de Otago (Nova Zelândia).
Também destacam que a exposição demasiada da criança a esses estímulos visuais e intelectuais pode gerar comportamentos mais agressivos e anti-sociais, em contrates com a brincadeira lúdica onde a criança através do seu corpo, do correr, pular, brincar com a imaginação libera cargas de stress e auxiliam a concentração nas atividades intelectuais.
Assim por mais que os pais querem estimular seus filhos, criando muitas vezes uma agenda cheia de atribulações, escolas especiais, aprendizagem de idiomas, de matemática, professores particulares etc.. e permitindo que o tempo livre seja gasto apenas com jogos solitários e visuais, (uma vez que as crianças estão mais em casa do que no convívio social) essa estimulação sem o tempo de desenvolver a psicomotrocidade, a atividade física e lúdica pode acabar prejudicando mais do que ajudando a criança.
Melanie Klein (1932, 1955), ressalta a importância do brincar como um meio de expressão da criança, contexto no qual ela elabora seus conflitos e demonstra seus sentimentos, ansiedades desejos e fantasias. Desta forma uma criança que não consegue brincar lúdicamente ou socialmente pode ser motivo de preocupação.

Atividades de descoberta, estimulação com musicas, ritmos, sons da natureza ou animais, o sentir o toque ou a textura das coisas a sua volta, experimentar os aromas, os diferentes cheiros, vencer desafios motores, tudo é potencialmente estimulante para a criança.


Não é necessário espaços construídos especificamente para crianças, mas é importante proporcionar diferentes experiências e lugares de exploração visual e sensorial. O campo ou um parque em que o adulto estimule o olhar da criança, a curiosidade por explorar, estimular o interesse por entender o pequeno espaço que está a sua volta.
Brincadeiras caseiras, permitir que um caixa se torne uma espaçonave, que a almofada se torne um trampolim e o tapete um lago cheio de crocodilos, permitir que a imaginação aconteça, sem brinquedos prontos. Situações simples como as citadas, fazem com que a criança crie emocionalmente estratégias de solucionar problemas sozinhas, busque enfrentar medos e desenvolver a auto-estima e auto-confianca na capacidade de superar os obstáculos.


Ao disponibilizar espaço e tempo para brincadeiras, os pais estão realmente contribuindo para um desenvolvimento saudável.
É importante também que os adultos resgatem sua capacidade de brincar, tornando-se, assim, mais disponíveis para as crianças enquanto parceiros e incentivadores de brincadeiras.
Como diz Abigail Van Buren: “Se quer que um filho seu se dê bem, gaste com ele o dobro do tempo e a metade do dinheiro!”.

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Autor: Denize Cenci

Gaucha de nascimento, Catarinense de coração, blogueira por acidente! Sou casada e mãe de menino, onde descobri a dor e alegria de ser mãe. Sou Psicóloga - Especislista em Terapia Sistêmica de Família e de casais, também faço atendimentos individuais e tenho vasta experiencia Saúde Mental e Saude Pública, pós-graduada em Saúde publica com foco em saúde da familia. Mudei-me para Londres - Inglaterra em 2014, e desde então venho experienciando o que é ser imigrante e expatriada.

5 pensamentos

  1. Gente, a Denize tem um pique pra estimular o filho que chega a dar inveja! Ela sai todos os dias pra algum lugar novo onde possa colocar em prática tudo isso que ela nos ensinou nesse brilhante artigo!

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